Conciliar o esporte de alto rendimento com os estudos nunca é uma tarefa fácil. Os compromissos com treinamentos, jogos e viagens exigem esforço redobrado para manter em dia as obrigações acadêmicas. Para o ala Igor Santos, atleta do Coritiba Monsters/Sociedade Thalia e estudante de Odontologia, a rotina dupla mantém vivo o sonho de se tornar atleta profissional, sem abrir mão de outro sonho: o ensino superior.

Dono da camisa número 15 na equipe Coxa Branca, Igor é aluno da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atualmente cursa o quarto período de odontologia. E, aos 22 anos, disputou pela segunda vez a Liga de Desenvolvimento de Basquete, a principal competição brasileira de basquete na categoria Sub-22. Com 10,6 pontos e 7,9 rebotes por partida de média, o ala teve o maior índice de eficiência do time curitibano na competição, com índice de 13,8. Prova de que estudos e desempenho em quadra podem caminhar lado a lado.

“Estou realizando um sonho de jogar esse campeonato. Há muito tempo eu queria jogar um campeonato como esse e agora que veio novamente a oportunidade eu falei para o Fábio (Pellanda, treinador da equipe) que jogaria. ‘Ah mas e a faculdade?’, eu disse que não tinha problema. Estou no terceiro período de prática na faculdade mas eu consigo conciliar. Eu sou esforçado nos dois, dou meu máximo nos dois”,

(Créditos: Hedeson Alves/LNB)

Natural da cidade de Tanabi (SP), município nos arredores de São José do Rio Preto (SP), a 477km da capital paulista, o atleta de 1,95m chegou a Curitiba após ser aprovado no vestibular da UFPR. O basquete, que começou a praticar ainda aos 12 anos de idade em sua cidade natal, já estava fora dos planos. Porém, ao se estabelecer na capital paranaense, começou a treinar na equipe da Universidade, o que reacendeu o sonho do esporte. O convite para jogar no Coritiba Monsters/Sociedade Thalia veio por meio de um outro atleta da equipe, o ala/pivô Herbert, que atuou contra Igor em uma competição amadora e o indicou para o técnico Fábio Pellanda.

“Tive algumas dificuldades no começo. Treinava três vezes na semana e dois dias não dava, por causa da faculdade, onde as aulas começavam 7h da manhã e iam até 17h. Mas o Fábio nunca falou ‘Ah, você não pode treinar’. Ao contrário. Ele sempre apoiou. E sempre apoia os estudos em primeiro lugar”, contou Igor

  • Tropa do Igão

Na faculdade, Igor se tornou quase uma “celebridade”. Durante a disputa da primeira etapa da LDB 2021, disputada em São Paulo, os amigos formaram uma espécie de torcida organizada virtual que foi apelidado de “Tropa do Igão”.

“Foi uma loucura! Quando eu peguei meu celular tinha um monte de gente me mandando mensagem. Eles estavam invadindo as lives dos outros times, as postagens… Tem sido uma loucura, nunca tive isso na vida. Não estou conseguindo responder todo mundo. Mas está sendo gratificante”, diverte-se Igor.

(Créditos: Fotojump/LNB)

A “tropa”, no entanto, não pôde comparecer na segunda etapa da competição, que foi disputada em Curitiba entre os dias 23 e 27 de agosto, porém com restrição de público devido os protocolos de segurança contra a Covid-19.

Apesar que não conseguirem assistí-lo in loco, os amigos são parte importante para que ele consiga conciliar as atividades da universidade com a rotina de atleta.

“Eles sempre me apoiam. Nunca falaram para eu não jogar. Quando tem trabalho da faculdade eles me ajudam para eu poder ir para os campeonatos. Eles falam que se gosto de basquete e me dedico a isso, para eu nunca abrir mão”, contou.

Outro pilar importante para Igor se manter firme é a família. O jovem vem de uma família de atletas amadores. A prima praticou atletismo e chegou a competir em torneios regionais no interior paulista e a irmã praticava basquete. Ali foi seu primeiro contato com a modalidade da bola laranja.

“O primordial para eu nunca ter saído da escola sempre foi minha mãe, meu pai e minha avó, que já faleceu. Minha avó sempre me apoiou em tudo. Minha mãe sempre falava que dava pra conciliar os dois, para eu ir atrás do meu sonho. Meu pai também pegava muito no pé sobre os estudos”, explica Igor, que antes de Odontologia chegou a cursar oito meses de Engenharia Elétrica, ainda aos 17 anos de idade.

(Créditos: João Pires/LNB)

Futuro

Com 22 anos já completados, limite de idade para disputa da Liga de Desenvolvimento, 2021 foi a última edição da competição de base que Igor pôde disputar. O jovem, porém, não pretende interromper a carreira de atleta. Com boas atuações na LDB na bagagem, ele agora busca uma nova equipe para realizar o sonho de ser jogador profissional, mesmo que longe de Curitiba.

“Eu ainda penso em jogar ainda basquete. Esse ano meu deu mais motivação para continuar. Principalmente por ver que eu consegui superar quase todas as barreiras que eu tinha. Eu não me machuquei e consegui conciliar os treinos com o EAD da faculdade”, relata. “Se tiver que trancar a faculdade para jogar mais um ano, eu toparia”, complementa.

O Coritiba Monsters/Sociedade Thalia é um projeto mantido pela Associação Viver Mais em parceria com o Coritiba Football Club, com patrocínio do Hospital Novo MundoCN-Cobertura NacionalSSW Sistemas e apoio da Prefeitura Municipal de Curitiba.