Rolando Ferreira Jr é uma figura histórica e querida do basquete paranaense. Natural da capital Curitiba, o gigante de 2,14m deixou a cidade as 17 anos e rodou o país e o mundo, se tornando o primeiro atleta brasileiro a jogar na NBA. Atualmente com 57 anos, o ex-pivô atua desde 2018 como diretor técnico do Coritiba Monsters/Sociedade Thalia, equipe que disputa a Liga de Desenvolvimento de Basquete 2021 – o campeonato nacional Sub-22.

(Crédito: Arquivo pessoal)

Mas a identificação do ex-atleta com o Coritiba vem de muito antes da constituição da equipe dos Monsters.  Isso porque seu pai, também chamado Rolando Ferreira, foi vice-presidente do Coritiba Football Club, durante os anos 1960. O clube Coxa Branca foi um dos fundadores da Federação Paranaense de Basquete, nos anos 1950, e hoje é parceiro da Associação Viver Mais, entidade mantenedora do projeto dos Monsters.

“Eu morava há duas quadras de onde é o Couto Pereira. Cheguei a brincar ali durante a construção das arquibancadas do estádio”, relembra.

Quando ele cresceu [e muito, diga-se de passagem] seu clube de coração já não tinha mais o esporte da bola laranja em suas dependências. Ele, então, começou a jogar na base do clube Círculo Militar do Paraná, onde ficou até os 17 anos.

  • Uma trajetória de sucesso

Ao deixar sua terra natal, o então jovem talento iniciou uma trajetória de sucesso. Em 1981 recebeu convite do lendário técnico Claudio Mortari para fazer teste no Clube Sírio, de São Paulo, time que dois anos antes sagrara-se campeão mundial de clubes e que, na época, formava a base da Seleção Brasileira adulta.

Treinar com os melhores tornou Rolando um jogador mais completo e, depois de uma campanha de sucesso e a medalha de bronze no Mundial Juvenil de 1983, chegou à seleção adulta pela primeira vez no ano seguinte.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

Depois de recusar um convite para a jogar pela Universidade de Lamar (Texas), equipe de pouca expressão do basquete universitários dos Estados Unidos, em 1985, já no ano seguinte surgiu uma grande oportunidade: atuar pela conceituada Universidade de Houston, antiga casa de feras do basquete como Clyde Drelex e Hakeem Olajuwon.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

“Eu fui pensando em ir para a NBA. Muita gente falava que eu podia ir para a NBA. E eu acreditei. Fui atrás do meu sonho”, relatou.

E o sonho se tornou realidade. Rolando Ferreira ouviu seu nome ser chamado na 26ª escolha do Draft de 1988. Ou melhor, seu agente ouviu.

“Eu estava em Curitiba e meu agente me ligou avisando que eu tinha sido escolhido pelo Portland Trailblazers”, contou. O primeiro a saber da novidade? Foi o porteiro do prédio onde morava. “Eu estava sozinho em casa, todo mundo tinha saído. Eu, então, contei ao porteiro. Ele não entendia nada de basquete”, divertiu-se.

  • Pan de 1987 – A vitória que chocou o mundo

Ainda antes de chegar à NBA, Rolando já tinha entrado para a história do basquete brasileiro. No dia 23 de agosto de 1987 ele conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianópolis ao lado de grandes craques do basquete nacional, como Oscar Marcel e Gerson Victalino. O feito, que completa 34 anos em 2021, chocou o mundo pois a Seleção Brasileiro bateu os os grandes favoritos dos Estados Unidos na final, por 120 a 115. Foi a primeira vez  que os norte-americanos perderam uma partida jogando em casa. Entre os adversários estava David Robinson, pivô número 1 do Draft de 1987 da NBA e que viria a marcar época no San Antonio Spurs.

(Crédito: Acervo CBB)

“A gente foi achando que não ia dar. Fomos para lá para ser segundo. Ninguém acreditava que os Estados Unidos iam perder”, lembra Rolando. “Terminamos o primeiro tempo atrás por 15 pontos. Não tínhamos mais o que perder então começamos a provocar os americanos, deixando livre para chutar de 3 pontos. Não era o forte deles. A gente pegava os rebotes e saiamos em contra-ataque. Deu certo”, conclui.

  • Retorno ao Brasil

As chances no melhor basquete do mundo foram poucas e a carreira do pivô nos Estados Unidos terminou depois de apenas um ano e 12 jogos disputados com a camisa dos Blazers. Era uma época difícil para os estrangeiros em uma NBA ainda pouco globalizada.

De volta ao Brasil, continuou atuando em alto nível, sendo convocado pela Seleção Brasileira até 1997, quando decidiu se aposentar da camisa verde-amarela depois de 13 anos de serviços prestados, três mundiais e duas olimpíadas no currículo (Seul-1988 e Barcelona-1992, tendo ficado fora em Atlanta-1996 por lesão). Se aposentou definitivamente dos clubes em 2000. Era hora de retornar para casa.

(Crédito: Coritiba Monsters)

O ex-pivô hoje vive em sua cidade natal, Curitiba (PR), onde se formou mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Rolando trabalha como professor universitário e é coordenador do curso de Educação Física da Universidade Tuiuti do Paraná onde também leciona diferentes disciplinas.

Paralelamente às as atividades acadêmicas, dedica parte de seu tempo a colaborar com o Coritiba Monsters/Sociedade Thalia, na formação de jovens atletas de basquete, dando continuidade à ligação paterna como cartola verde e branco.